Michael Pipoquinha e Pedro Martins recebem Toninho Horta em live quinta, 10/9, 17h, lançando as músicas “Raul” e “Mr. Herbie”

As duas faixas integram o álbum “Cumplicidade”, que registra a empatia dos jovens e impressionantes instrumentistas, com participações de Toninho Horta e Mônica Salmaso. Toninho participa da live de lançamento das faixas “Raul” e “Mr. Herbie” na quinta-feira, 10/9, às 17h, pelo Youtube do cearense Pipoquinha e do brasiliense Pedro, com mediação de Dalwton Moura. As músicas serão lançadas, com direito a clipes




Um alívio, um alento, um presente em meio aos dias desafiadores que vivemos. Assim é “Cumplicidade”, álbum que o contrabaixista cearense Michael Pipoquinha e o guitarrista brasiliense Pedro Martins estão lançando, concretizando um registro do encontro concebido pelo produtor cultural Antônio Ivan Capucho, diretor do Festival Choro Jazz, realizado anualmente em Fortaleza e Jericoacoara, e que frutificou na forma de shows de Pedro e Pipoquinha pelo Brasil e pelos Estados Unidos. Belezas, sensibilidades e novos horizontes musicais alcançados no palco e que deram a quantos viram e ouviram uma certeza: esse encontro precisava virar um disco.

E assim foi! “Cumplicidade”, álbum que está sendo lançado com patrocínio da Petrobras e do Ministério da Cidadania, via lei federal de incentivo à cultura, e cuja turnê de divulgação por diversas capitais teve de ser adiada para dias melhores, seduz e impressiona desde a primeira audição.

Na quinta-feira, 10/9, 17h, a dupla dá prosseguimento à série de lives para divulgação do disco, lançando a cada encontro uma nova faixa, como single. Desta vez serão duas músicas: “Raul” e “Mr. Herbie”, que no disco contam com participação especialíssima do guitarrista, compositor, arranjador Toninho Horta. Autor das duas músicas, Toninho também estará presente na live com Pedro e Pipoquinha, transmitida pelo canal dos jovens instrumentistas no Youtube. A live tem mediação do compositor, jornalista e produtor cultural Dalwton Moura.

Ousadia e beleza

Seria pouco dizer que o disco chama atenção pela precoce excelência de ambos os instrumentistas – Michael com 24 anos, Pedro com 26 -, pelo repertório corajoso de obras menos recorrentes de grandes compositores brasileiros de várias gerações, pelo casamento de maneiras de fazer e viver a música, em um encontro também ousado em um disco de guitarra e contrabaixo, com pontuais participações vocais, e em que nada parece faltar.

Acima de tudo, “Cumplicidade” cativa o ouvinte pela verdade! Não é (apenas) o encontro de dois grandes músicos, mas de duas grandes pessoas, que mesmo tão jovens carregam já trajetórias consideráveis, vivências intensas, experiências diferenciadas. Que aprenderam com grandes mestres a conjugar às complexidades do fazer musical lições de simplicidade, humanismo, sensibilidade. A grande arte.

“Graças a Deus, tive muitos mestres. Só convivi com pajé! Thiago Almeida (pianista, de Fortaleza), Arthur Maia (saudoso contrabaixista, de Niterói), Arismar (do Espírito Santo, aclamado multi-instrumentista)… Ouvindo as ideias, vivendo, sentindo, coração aberto pra aprender, pra observar. O que forma a gente é como a gente vive, o que a gente se propõe a se deixar influenciar”, destaca Michael Pipoquinha, que desde criança chamou atenção em shows e festivais, sendo acolhido pelo ídolo Arthur Maia e por diversos contrabaixistas da cena cearense.

“A gente cresceu ouvindo nossos pais, nossos tios, que não são músicos mas que colavam no radinho ali e choravam ouvindo aquele som. Isso sempre esteve no nosso coração. A gente nunca desligou o fato de sermos músicos com o fato de a música ser pras pessoas sentirem e admirarem a música”, destaca, por sua vez, Pedro Martins, que encantou Mr. Eric Clapton no festival Crossroads, nos EUA, em 2019, e viajou pelo mundo tocando com Kurt Rosewinkel, guitarrista americano de jazz que também produziu seu disco “Vox”.

“Eu e Pipoca começamos a tocar juntos de forma muito intuitiva, muito natural. Uma busca dos nossos espíritos, que fez a gente se encontrar. A gente nunca sentou pra definir nada do nosso som. A gente só fez tocar. O que as pessoas estão vendo não é o grande lance. A gente serve só de um canal. A habilidade com os instrumentos fica menos importante. O foco principal é a música”.

Do chão às nuvens: a mágica da empatia

O encontro entre Michael Pipoquinha e Pedro Martins teve início, literalmente, na véspera do show que ambos fizeram no Festival Choro Jazz em 2017. Pipoquinha acabara de retornar de shows na Europa e recebeu um telefonema de Capucho fazendo o convite.

“Fizemos o show sem nem nos conhecermos e desde lá é só coisa linda. Apresentações nos Estados Unidos, no Brasil também. Foi inusitado demais, uma coisa mágica mesmo. Todo mundo que via os shows sempre dizia isso pra gente”, reconstitui Pipoquinha. “A diversidade, a liberdade, pelo fato de gostar de muita coisa, faz o Pedro ter muita coisa pra falar. Ele sabe muito”.

“Tentando definir uma coisa que não tem como, correndo o risco de diminuir a mágica ao tentar explicar, acho que nesse trabalho a gente se completa muito. O Pipoca tem uma coisa de acompanhamento e de precisão, de certeza, de rapidez, que nunca vi. Quase nenhum músico tem. E já toquei com muita gente, modéstia à parte, viajei o mundo inteiro”, devolve Pedro Martins.

“Ele tem uma coisa de chão. Não só musical, mas de atitude, de estar na frente, pensar na frente. E tem uma rapidez, uma agilidade, de um Pelé do contrabaixo. Tocando com ele, fico mais como um sonhador, como se na maioria das vezes ele fosse o chão e eu fosse as nuvens”.

“Em outros momentos isso se inverte”, aponta o guitarrista. “É uma troca mesmo, a troca mais bonita do mundo, porque não tem julgamento. Vários momentos, depois de um show, eu parei e perguntei: ‘Como é que tu faz isso?’. E ele vinha com toda a doçura explicar. O Pipoca sabe tudo”.

Jóias sob novas luzes

Sob esse mágico reconhecer-se, Pedro e Pipoquinha escolheram registrar no disco músicas que já faziam parte dessa convivência nos palcos. Temas menos recorrentes para parte do público, talvez, em mais uma atitude corajosa, em prol da música, imprimindo em cada faixa a linguagem própria do dueto. “Azeitona”, do mestre Hermeto, lançada como primeiro single, ganha uma recriação que impressionaria o próprio bruxo. “Desfigurado”, de Cartola, comove de tão pungente, assim como “Desilusão”, de Dominguinhos e Anastácia”.

“Ninho de vespa” (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro) chama para descobrir outros matizes nas cores quentes do frevo em tom menor, com lindos improvisos tanto do baixo quanto da guitarra, enquanto o lirismo é ainda mais intenso no clássico “Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro), com a participação de Mônica Salmaso. “Resistência”, uma das autorais de Pipoquinha, parceria com o também cearense Cainã Cavalcante, violonista, emaranha choro, jazz, canção. Sem palavras.

O mestre andarilho Toninho Horta participa da inspirada recriação de sua “Raul”. Também com vocalises, em uma animada saudação aPedro e Pipoquinha, ao estilo de Gonzagão, Dominguinhos, surpreendendo o ouvinte em um disco instrumental. “Esses garotos são um absurdo. Pra vocês, querido Pedro e Pipoquinha. Vocês são demais! I love you”, declara, antes de nos levar por paisagens, montanhas, horizontes esculpidos em som.

A faixa-título, “Cumplicidade”, é a única parceria entre Pedro e Pipoquinha no álbum, tema de contemplação e delicadeza. “Jangada”, de Hervê Cordovil e Vicente Leporace, chega com as heranças gonzagueanas, enquanto Toninho retorna em sua jazzy “Mr. Herbie”.

De Pipoquinha, “Tipo Dani” leva o duo por entre caminhos instigantes, misteriosos, enquanto o disco se encerra com a energia de “A vida tem dessas coisas”, do craque Hamilton de Holanda. Estação derradeira de uma viagem em que guitarra e contrabaixo se bastam e se multiplicam, em um diálogo em que se reconhecem e se fazem maiores, privilegiando a música. E o coração.

SERVIÇO:
“Cumplicidade”. Disco de Michael Pipoquinha e Pedro Martins. 12 faixas. Live com eles e com o guitarrista e compositor Toninho Horta. Lançamento das músicas “Raul” e “Mr. Herbie”. Quinta-feira, 10/9, às 17h, no Youtube (canal Michael Pipoquinha e Pedro Martins).

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Sobre Luca Souza

Estagiário no setor de criação de conteúdo do Foobá

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