O rap nordestino ganhou um novo capítulo com o lançamento da mixtape “Só Podia Ser Mulher (SPSM)”, da rapper Bione. O trabalho chegou às plataformas digitais no dia 8 de março de 2026, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, reunindo sete faixas autorais que dialogam com identidade, território e as vivências de mulheres nas periferias.
A primeira faixa do trabalho, “Rap de Mina”, já abre espaço para uma provocação direta: “Quantos rappers do Nordeste você escuta?”, a música nasceu inicialmente como uma poesia publicada nas redes sociais e acabou se transformando em um questionamento sobre a pouca visibilidade que muitas artistas da região ainda enfrentam dentro do cenário nacional.
O título da mixtape também carrega uma intenção clara. A expressão “só podia ser mulher”, muitas vezes usada de forma depreciativa, aparece no projeto como uma afirmação de identidade e resistência. Ao longo das músicas, Bione mistura críticas sociais com relatos pessoais e diferentes sonoridades, como na faixa “Tem que ser Simples”, que aproxima o rap de influências do afro house.
Entre as composições do projeto estão ainda músicas como “SalvaTodos”, “Terceira Conjugação” e “Rap do Meu Espírito”. Esta última ganhou reconhecimento ao vencer o prêmio Rhythm and Business durante o Festival Latinidades de 2025. A faixa-título também presta homenagem a cantoras negras brasileiras e percorre bairros da periferia recifense, reforçando o vínculo da artista com o território onde cresceu.
Com cerca de oito anos de carreira, Bione já soma outros trabalhos como a mixtape “Sai da Frente”, o álbum visual “EGO” e o livro de poesia “Furtiva”. Natural da zona oeste de Recife, a artista construiu sua trajetória dentro do hip hop trazendo para as letras experiências do cotidiano e reflexões sobre desigualdade de gênero. A nova mixtape marca também mais um projeto da artista em parceria com o selo Aqualtune, coletivo formado por mulheres negras que atua no fortalecimento de artistas independentes e na ampliação de vozes femininas dentro da cultura hip hop.
Além disso, seu novo lançamento chega em um momento em que cada vez mais mulheres vêm ocupando espaço no rap brasileiro. Nomes como Duquesa, Ebony, AJC e Nanda Tsunami mostram como a presença feminina tem se fortalecido no hip hop, ampliando narrativas e ajudando a transformar a cena musical no país.


