“Teko Haxy – ser imperfeita”, será exibido em sessão do Cineclube Âncora

O projeto é um espaço de discussão sobre o audiovisual do Brasil dentro da Porto Iracema das Artes.




Cinema, Cultura

O filme “Teko Haxy – ser imperfeita”, das cineastas Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro, é o próximo a ser exibido e debatido no Cineclube Âncora, da Escola Porto Iracema das Artes — instituição da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). O projeto cineclubista é um espaço de discussão e reflexão sobre a cena audiovisual do Brasil. O novo encontro acontece na próxima sexta-feira, dia 24 de setembro, às 18h, no YouTube da escola, com mediação de Kamilla Medeiros e alunes do Curso Básico de Audiovisual da Porto.

A obra retrata um encontro íntimo entre duas mulheres que se filmam. “O documentário experimental é a relação de duas artistas, uma cineasta indígena e uma artista visual e antropóloga não-indígena. Diante da consciência da imperfeição do ser, entram em conflitos e se criam material e espiritualmente. Nesse processo, se descobrem iguais e diferentes na justeza de suas imagens”, revela a sinopse. Com roteiro, direção e fotografia de Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro, o filme é de 2018 e tem 39 minutos. Ele ficará disponível na vitrine da escola durante a semana do dia 20 a 24 de setembro na plataforma Vimeo.

Em artigo publicado na revista Verberena, as cineastas compartilharam um pouco da experiência durante o processo de criação da obra. “É uma experiência do encontro. Diante da câmera, criamos personagens, mas também colocamos nossos assuntos mais íntimos. Assumimos uma estética íntima – nosso diário relacional – um experimento visual feito por nós, duas mulheres de diferentes mundos que criaram um mundo dentro dessas diferenças”, revelam.

A obra foi filmada por quase três anos, desde 2015. Para realizar, elas precisaram se adequar à linguagem das vídeo-cartas. Construído narrativamente pela montagem de Tatiana Soares de Almeida (Tita), é “um cinema-processo, inacabado, imprevisível’’, resumem as artistas. “A fissura se deu apenas quando compreendemos a natureza dos nossos corpos – colocados em relação e como aliados”, concluem.

Kamilla Medeiros, mediadora desta sessão e uma das fundadoras do Cineclube Âncora, em 2017, quando ainda era aluna do Programa de Formação Básica da Escola, ressalta a importância da retomada do projeto, renovado com a nova turma do Curso Básico de Audiovisual e as sessões que devem acontecer até o final deste ano. Ela destaca, também, a atualidade do filme no contexto brasileiro. “O ‘Teko-Haxy’ é um filme de 2018, mas é muito atual. E é um filme muito pertinente quando a gente pensa que,  neste momento, o Brasil está votando o marco temporal, que é um atraso não só para todas as etnias e povos originários, mas pra gente, pro mundo. É muito triste. Então, assistir o filme, conversar sobre ele agora, com essas duas mulheres, vai ser incrível”, acredita.

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