Zulmira Alves: Cratense ganhadora do Prêmio Cepe de Literatura

Seu livro de estreia ganhou na categoria de poesia.




Cultura, Literatura

Natural do Crato, a estudante de Design, na Escola de Belas Artes da UFBA, Zulmira Alves, de 23 anos, ganhou o Prêmio Cepe na categoria de literatura em poesia, com o seu livro de estreia: As Cartas de Maria.

O livro é um compilado de histórias que a autora ouvia quando menina – histórias de muitas Marias que enfrentam a seca diariamente, unido ao misticismo da sua terra, o Cariri.

Aos 18 anos se mudou para Salvador para cursar a faculdade de Desing. Antes disso cursou dois anos de Direito na Universidade Regional do Cariri. “Nunca gostei do curso, eu era muito jovem, tinha apenas 16 anos. Sempre tive mesmo afinidade com a arte, queria seguir carreira nessa área”, disse Zulmira.

A paixão pela escrita vem desde os 13 anos de idade. Sempre gostou de escrever sobre tudo, em especial romance e ficção. Essa é a primeira vez que se aventura pelo mundo da poesia.

Confira a entrevista com Zulmira Alves sobre seu livro, As Cartas de Maria:

De onde veio a inspiração para escrever esse livro? 

Desde pequena escutei do meu pai, da minha mãe e do meu avó, Raimundo, histórias da minha bisavó, Maria. De como ela foi uma mulher forte, mesmo vivendo no século XIX. Ela morava em Alagoas, era professora, estudava latim, tinha uma biblioteca enorme. Um certo dia, conheceu um andarilho que vendia ouro de cidade em cidade. Eles se apaixonaram e resolveram fugir para o Crato, onde se casaram.  O livro é um compilado dessas histórias, que ouvi quando criança, misturado com todo esse misticismo da minha terra, o Cariri. Cada capítulo é uma poesia em formato de carta. Cartas de Maria para sua mãe.

Como foi escrever sobre sua bisavó?

Foi um desafio. Ela foi uma incógnita para mim. Como uma mulher independente como ela, foge com alguém por amor? Como escrever sobre alguém que você não conhece, só ouvir falar? Tentei virtualizá-la a partir das histórias que ouvi da minha família. 80% das poesias são acontecimentos reais, que mistura a seca, o sertão e o próprio Padre Cícero.

Como foi o processo de escrita do livro?

Quando vi o edital faltava apenas um mês para encerrar as inscrições. A principio pensei em escrever um romance, percebi que não daria tempo passei então para a ideia de escrever um livro de poesias. As historias já estavam na minha cabeça, quando eu chegava em casa e sentava para escrever, as palavras simplesmente fluíam muito rápido. Era como se os personagens estivessem no meu ouvido sussurrando as palavras. 

O que esse livro simboliza para você?

Simboliza não só a concretização de um sonho antigo, por ter um livro publicado e ser meu primeiro, como também uma forma de preservar minhas memórias. Estou contando a história de pessoas reais, sobre a minha família e isso significa muito para mim.

Pretende seguir carreira na literatura?

Seria meu sonho, infelizmente o Brasil é um país com poucos leitores e não tem muita valorização, contudo não consigo me ver em apenas um local. Pretendo me aventurar por diversas outras áreas da arte. Gosto de cantar, de tocar, principalmente ukulelê, faço bordado, entre outras coisas. Minhas raízes estão em todas áreas artísticas.

Quatro das cinco categorias do Prêmio Cepe foram vencidas por mulheres. Que significado tem para você?

Isso me emociona. Nós estamos ocupando outros espaços, que também são nossos. Não foram só mulheres que ganharam, mas as protagonistas dos livros, também eram mulheres. Mulheres reais.

O Prêmio Cepe tem reconhecimento nacional e premia seu ganhadores com a publicação do seu livro além de 20 mil em dinheiro.

O livro ainda não foi publicado, a previsão é que seja lançado em junho deste ano. Mesmo sem data de lançamento, a autora já está escrevendo sua sequência.

Sobre Saulo Mota

Jornalista em construção, apaixonado pelas palavras e pelo seu país Cariri. Viciado em séries e filmes da década de 90. Aspirante a músico, designer, fotógrafo e ainda com tempo para sonhar.

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