Funk brasileiro ganha exposição imersiva na WOMEX, uma das maiores feiras de música do mundo

Criada pelo Favela Sounds e apresentada pela Embratur, a Baile Funk Invasion conta a história do gênero em Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha.

Jimmy Macedo

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CulturaMúsica
Retrato da DJ Bonekinha Iraquiana, de cabelo preso, com a mão próxima ao rosto, diante de fundo verde-escuro
A DJ Bonekinha Iraquiana, referência do funk submundo, faz DJ set na Rádio WOMEX. Foto: Divulgação/Favela Sounds
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O funk brasileiro ocupa, a partir desta quarta-feira (21), um espaço próprio na WOMEX – The World Music Expo, uma das principais feiras e conferências de música do mundo. A exposição imersiva Baile Funk Invasion fica em cartaz até sábado (24) na 32ª edição do evento, realizada em Las Palmas de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias (Espanha).

O projeto foi criado pelo Favela Sounds, festival de cultura periférica nascido em Brasília em 2016, e é apresentado pela Embratur. É a primeira vez que a agência de promoção turística apoia uma ação dedicada ao funk, que ela passa a tratar como atrativo para visitantes estrangeiros, especialmente os mais jovens.

Dos bailes do Rio para o mundo

Em 24 metros quadrados dentro da área de mercado da feira, a mostra percorre três etapas: o nascimento do funk nos bailes e equipes de som do Rio de Janeiro, a expansão pelas regiões do Brasil e o alcance internacional do gênero. São telas, arquivos históricos, depoimentos e vídeos, com curadoria de Guilherme Tavares e Amanda Bittar e visuais do artista plástico Dnego Justino. Um mapa apresenta os subgêneros do funk espalhados pelo país.

Há também duas experiências interativas. Em Let’s dance passinho, a coreógrafa Arielle Macedo, que trabalha com Anitta, ensina uma coreografia criada para uma faixa do DJ e produtor paulista Rafinha MPC, e o visitante leva o vídeo da própria dança por QR code. Na outra, o público improvisa batidas em uma MPC, equipamento-símbolo dos DJs de funk.

Quem conta essa história

A exposição também quer provocar. Segundo os curadores, o funk já é referência para DJs e produtores da Europa, mas ainda há pouca presença de brasileiros na produção e na difusão do estilo fora do país. Para a Embratur, o gênero vive uma trajetória parecida com a do samba, que enfrentou perseguição e preconceito antes de virar cartão de visitas do Brasil.

Na quinta-feira (22), à tarde no horário de Brasília, a Rádio WOMEX transmite pela internet o debate Is Baile Funk here to stay?, com Deize Tigrona, uma das vozes pioneiras do funk carioca, que hoje vive em Marselha (França), e representantes da Embratur, sob mediação de Guilherme Tavares. Em seguida, a DJ Bonekinha Iraquiana, referência do funk submundo, apresenta um DJ set.

Maior delegação brasileira

A ação coincide com a maior delegação brasileira da história da WOMEX, com mais de 60 profissionais, segundo a Billboard Brasil. Na seleção oficial estão o baiano Tiganá Santana e o Baile do Mestre Cupijó; Almério, Assucena e Jéssica Gaspar se apresentam na programação paralela offWOMEX.

Com informações do Favela Sounds e da Embratur.

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